quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cantiga de Amigo*

Lua que de tão longe alumia
Vá-te embora, venha o dia
Que essa noite meu coração partia
Se somente cedo meu amigo via

Lua que de tão longe alumia
Nunca disseste que tão grande amor aqui cabia
Nunca disseste que mata a nostalgia
Se somente cedo meu amigo via

Lua que de tão longe alumia
Roga aos céus e à ventania
Que a aurora não sê tardia
Se somente cedo meu amigo via

Lua que de tão longe alumia
Se pudesse, já em meu leito dormia
Mas a noite nunca findaria
se somente cedo meu amigo via.





(*Em tempo! Estava cá eu a estudar trovadorismo e me ocorreu que a melhor maneira de lembrar das características dessa escola literária seria se eu compusesse algo no estilo!
Bem, então aí está uma Canção de Amigo, onde eu coloquei tudo que me vinha à memória:

~ Eu lírico Feminino
~ Iniciante nas descobertas do amor
~ Marcas fortes de oralidade (paralelismo, refrão, repetição, whatever)
~ Ambientação simples, oposta à cortês da "canção de amor"
~ Declarar a saudade do amigo (que apesar da palavra, era como se referiam aos seus amados)

sábado, 17 de abril de 2010

Estou à procura
De uma dose de loucura,
De um pouco de doçura,
Do que me ofereça a cura
Dessa vida de censura
E o fim dessa procura
Que minha essência tortura
É seu lábio que me jura,
Seu olhar que me assegura
Um amor que a eternidade dura.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Aleatório (?)

Busquei a caneta como se fosse vida
A resposta perdida
Do que eu sequer perguntei.

Procurei numa folha
A irrevogável escolha
Do que eu sequer sonhei.

Me fiz em letras.
(Fiz?
Farei?
Não sei.)

Faria.
Não fosse teus olhos,
Orbes divinos,
Luz do dia,
Perfeita alegria
Enquanto eu morria.
(uma vez mais)

(Como pôdes ser tão leviano
Quando eu te dei o que me restava de humano?
As lágrimas que eu nem sabia que tinha,
Mais que corpo, a alma minha)

Na caneta não há tinta.
É apenas sonho,
Doce quimera,
Ilusão de afagos,
Que ficarão no papel.

Teu amor? Quisera!
Acabou, entretanto,
Não há pranto,
Foi tanto...

E embora ainda
Ao deitar te sinta,
A paixão tão linda
Em poesia finda.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Que venha a morte no seu negro manto,
Que em seu árduo abraço me leve,
Que me sossegue na eternidade do seu canto,
Que já tarde finde essa vida breve.

Que onde habita meu tudo, haja nada
Que a minha consciência suma num repente
Que minha frágil alma seja rasgada
Que eu assista ao caos contente.

Prefiro a insanidade plena, tortura que não se suporta
A solidão dos becos, os lares de ninguém,
A alma letalmente ferida e o corpo também.

Que disso que vive, já seja matéria morta
Mas que eu nunca me contente com a vida vã,
Que eu nunca sorria numa felicidade sã.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

IV

Silêncio, é madrugada!
Além das paredes frias
As mães ninam suas crias;
Mais uma noite velada.

Silêncio! Os justos estão deitados.
Nos seus leitos sagrados
E os culpados, ainda acordados
Remoem seus erros, preocupados.

Além do além
Existe alguém
Que brinca de ninguém.

A noite é pra todos: Logo raia o dia
Menos pr'aquele
Que brinca de poesia.

III

Estou cheia de começos:
Uma aventura, um pranto
Ou histórias dum amor clichê
(todos os amores são os mesmos).

Não sei onde isso vai me levar:
Ora escrevo, ora choro, ora canto
Mas em tudo que me cerca há você.
(seria isso o que chamam de amar?)

Das coisas da vida, já sei que não sei,
Mas a vida é pra ser sabida ou vivida?
(Um dia, será que descobrirei?)

Ultimamente, só falo, falo e não digo nada
Mas é tarde e meus pensamentos querem deitar
(e eu termino com jeito de poesia nem começada...)

Insone

II

É noite e sempre é
Inda que o sol surja no horizonte irreal
Inda que a chama arda na fogueira do quintal
Inda que tu me jures que não me quer mal.

Tudo é escuridão e sempre é.
Inda que meu peito se desmanche de amor
Inda que minh'alma acredite naquele calor
Inda que tu estejas comigo donde eu for.

Hoje o frio é mais intenso
Me afaga e me envolve no seio do seu abraço amigo
Lugar onde meu corpo fadigado constrói abrigo.

Hoje meu espírito é imenso
Mas ele não me conforta, nem tu me elevas.
Deito e durmo sabendo que sou só trevas.